Com as regras do isolamento social decretadas pelo Governo do Estado do Ceará por conta da pandemia do novo coronavírus (Covi-19), as empresas precisaram encontrar uma nova configuração de processos e estruturas corporativas em pouco tempo. Os planos antes considerados futuristas saíram das pesquisas e slides de reuniões das grandes corporações para serem colocados em prática em negócios de todos os tamanhos espalhados pelo Brasil.
Para a psicóloga Emanuela Gomes, diretora da Clínica Mundo Akar, uma clínica especializada em terapias integrativas, “o cenário de incertezas afetou diretamente a saúde mental e a qualidade de vida de todos os colaboradores das empresas espalhadas por todo o mundo, sejam elas pequenas ou grandes corporações. Além da rotina do trabalho, as questões pessoais familiares ou conflitos pessoais mal resolvidos veem à tona e afetam a produtividade. As pessoas não têm mais controle de muitos aspectos da vida, favorecendo assim o início de várias patologias e transtornos mentais”, reforça a psicóloga.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) calcula que são necessários cerca de 18 meses para uma imunização contra a Covid-19. Enquanto isso, alguns modelos empresariais adotaram o home office de forma integral neste novo cenário do mercado. Ainda incerto, o mundo pós-pandemia dá sinais nos redesenhos, com experiências imersivas dos espaços públicos hoje inabitados, trabalho remoto, educação a distância, etc. Esse novo quadro de incertezas é inédito em todo o mundo e uma das perguntas é: Como ficará a saúde mental dos colaboradores?
Segundo a OMS, no mundo, mais de 300 milhões de pessoas sofrem com a depressão e mais de 260 milhões vivem com transtornos de ansiedade e o custo destas doenças para a economia global ultrapassa 1 trilhão de dólares.
O crescimento dos indicadores relacionados aos transtornos mentais e comportamentais vem preocupando os departamentos de recursos humanos das empresas. De acordo com o boletim sobre Benefícios por Incapacidade, divulgado em 2017 pelo Ministério da Fazenda, estes transtornos já são a 3ª maior causa de afastamento e correspondem a 9% da concessão de auxílio-doença e incapacidade para o trabalho.
No Brasil, 6.200 pessoas morreram entre 1996 e 2016 em decorrência de episódios depressivos e transtorno depressivo recorrente, conforme informações do Sistema Datasus do Ministério da Saúde. Já no Ceará, em 2018, o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) concedeu quatro auxílio-doença por dia, para pessoas que não tinham condições de continuar trabalhando devido à depressão. Um total de 1.741 auxílios no ano, que evidencia um aumento de 38,6% se comparado aos índices registrados em 2017.
E o que esperar deste cenário pós-pandemia? O Mundo Akar criou o Programa de Apoio ao Colaborador para empresas de vários tamanhos. São planos de assistência psicológica que realizam atendimentos online regulares, agendados de acordo com a disponibilidade/ necessidade do colaborador, disponibilizam conteúdos e vivências para equipes multiplicadoras dessas empresas e promove a realização de encontros de grupos tudo de forma virtual.
Emanuela Gomes destaca a importância dos setores de recursos humanos das empresas estarem cada vez mais próximos dos funcionários para identificar o problema. “Agora com o trabalho remoto, onde aqueles que podem estão desempenhando suas atividades de casa, a carga horária pode exigir do colaborador um desempenho além do que é possível. Outras questões que podem impactar são a falta de clareza na definição das funções organizacionais e a comunicação ineficaz. Tudo isso além da necessidade de administrar questões familiares diversas, pode aumentar consideravelmente a necessidade de cuidar da sanidade”, destaca a psicóloga.
Além das ferramentas de mapeamento individual, é fundamental desenvolver campanhas internas de esclarecimento sobre o tema, capacitar os gestores sobre como reconhecer os sintomas de estresse ou estafa nos membros da sua equipe, bem como desenvolver programas destinados aos colaboradores sobre gerenciamento destes fatores.
“Por isso criamos mais esse suporte, para que as empresas possam oferecer tanto terapias psicológicas como práticas integrativas aos seus colaboradores. Entendemos que dessa forma, os colaboradores vão se sentir apoiados e capazes de pedir ajuda para continuar ou retornar ao trabalho, e tenham os recursos necessários para isso”, destaca Emanuela.
“Vamos acolher, apoiar e ajudar no processo no fortalecimento dessas pessoas que precisam estar em equilíbrio para poder desempenhar todas as suas funções, seja no contexto social, familiar e também profissional. As empresas precisam entender que apenas com colaboradores saudáveis, os planos de retoma terão maior êxito. É um investimento no seu principal ativo: as pessoas”, conclui Emanuela Gomes.



















