Com ação gratuita, oftalmologistas ajudam milhares de crianças a terem acesso ao diagnóstico de problemas de visão no Ceará
Durante o 67º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, que acontece em Fortaleza de 23 a 26 de agosto, será realizado atendimento voluntário a jovens matriculados na rede pública de ensino, em esforço que visa a detecção de problemas que podem prejudicar o desempenho escolar.
A realidade dos problemas oculares que ameaçam o desempenho escolar de crianças e adolescentes está no centro dos debates sobre a saúde ocular na faixa etária pediátrica. A demora do diagnóstico para problemas de visão e o uso excessivo de telas eletrônicas constroem um cenário que traz prejuízos a milhares de jovens.
Nesse sentido, para fortalecer a assistência oftalmológica as crianças e adolescentes matriculados em escolas da rede pública do Ceará, o Conselho Brasileiro de Oftalmologia realizará a ação “Pequenos Olhares CBO”. O projeto promoverá, nos dias 24 e 25 de agosto, atendimento voluntário a aproximadamente mil crianças e adolescentes, com o suporte de instituições parceiras, como a Sociedade Brasileira de Oftalmologia Pediátrica (SBOP) e a Sociedade Cearense de Oftalmologia. Todos os participantes são alunos da rede pública e foram previamente cadastrados por intermédio de entidades públicas locais.
O Projeto “Pequenos Olhares CBO” busca contribuir com o acesso de crianças e adolescentes, em especial os que frequentam a rede pública de ensino do Ceará, ao diagnóstico de problemas de visão, o que pode ajudar a reduzir a queda no rendimento escolar ou até a evasão de alunos da sala de aula”, explica Cristiano Caixeta Umbelino, presidente do CBO, que ressaltou o apoio institucional recebido do Ministério Público e das seguintes Secretarias: Municipal de Educação, Municipal de Desenvolvimento Humano e Social e Estadual de Desenvolvimento Social.
A ação acontece em meio ao atual cenário de recuperação no número de consultas oftalmológicas destinadas às crianças e adolescentes em todo o Brasil. Esse aumento vem após um período de interrupção desses serviços devido à pandemia de covid-19, conforme evidenciado pelos dados do Sistema Único de Saúde (SUS).
Dados coletados nos seis primeiros meses de 2023 já superam os registros observados no mesmo período de 2020 e 2021, anos marcados pela emergência epidemiológica gerada pelo coronavírus, e ultrapassa, inclusive, o volume notificado no primeiro semestre de 2022. No entanto, os números relacionados aos cuidados com a saúde ocular na faixa pediátrica ainda não superam o patamar alcançado antes da crise sanitária. Em 2019, o banco de dados do SUS registrou mais de 2 milhões (2.080.328) de consultas oftalmológicas para a faixa etária de 0 a 19 anos.
Informações – A análise dos números que mostram o comportamento da cobertura assistencial foi feita pelo Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO), a partir de informações que constam do banco de dados do Ministério da Saúde. Foram avaliadas informações do período entre janeiro de 2012 e junho de 2023. Os dados mostram queda significativa nos atendimentos para crianças e adolescentes de 0 a 19 anos, a partir de 2020, coincidindo com a chegada da covid-19 ao Brasil.
De todas as consultas oftalmológicas realizadas entre janeiro de 2012 e junho de 2023 para a população de até 19 anos, 42% foram com crianças de menos de um ano. Esse percentual corresponde a 7.920.178 idas aos consultórios de oftalmologia. Já a faixa de 1 a 4 anos é a que menos recebeu atendimento do tipo na série histórica, somando 1.580.999, o que representa apenas cerca de 8% do total. Confira detalhes abaixo.
Em 2022, o primeiro semestre do ano acumulou 938.315 atendimentos oftalmológicos a crianças e adolescentes. No mesmo período deste ano, o banco de dados do SUS identificou uma leve alta no número de consultas oftalmológicas direcionadas à faixa etária pediátrica, com 941.047 registros, o que ainda não alcança a produção observada em 2019 antes da chegada do coronavírus.
Alerta – O CBO alerta para cenários que podem trazer complicações no futuro. Cristiano Caixeta Umbelino, presidente do CBO, alerta que a saúde ocular das crianças deve ser uma das prioridades das famílias e dos órgãos públicos, uma vez que problemas de visão, não diagnosticados e tratados, podem comprometer o processo de aprendizagem e socialização.
“A saúde ocular, embora seja essencial ao bem-estar físico e social das crianças e adolescentes, acaba não sendo uma prioridade para as famílias. Problemas de visão, como miopia e astigmatismo, revelam impactos diretos às rotinas escolares, sobretudo nas diversas atividades relacionadas à leitura. É preciso pensar estratégias que possam ampliar o acesso dessas crianças à uma cadeia de cuidados no setor público, para que o desempenho escolar dos menores não seja comprometido”, afirma.
Projeto – O projeto tem como principal objetivo detectar problemas que podem prejudicar o desempenho escolar de alunos da rede pública cearense. Os atendimentos do “Pequenos Olhares CBO” acontecerão no Centro de Eventos do Ceará, por oftalmologistas voluntários que participam do 67º Congresso Brasileiro de Oftalmologia. A ação também contará com atividades lúdicas para a criançada.
“O enfrentamento aos problemas oculares que ameaçam o rendimento escolar depende diretamente de ações apoiadas pelo Governo, em suas diferentes instâncias. A ação de atendimento social desenvolvida durante o CBO2023 é uma medida paliativa, no entanto, pode inspirar políticas públicas com capacidade de ampliar efetivamente o acesso de crianças e adolescentes aos cuidados oculares oferecidos pelos sistemas de saúde pública”, comenta o presidente do CBO, Cristiano Caixeta Umbelino.
O “Pequenos Olhares CBO” conta com a parceria da organização sem fins lucrativos OneSight Essilor Luxottica Foundation, além de receber o apoio das empresas Aché, Gbio Farmacêutica, Ofta Vision Health, Genom, Glaukos, Johnson & Johnson, Latinofarma, EssilorLuxxottica, Alcon e OFT Service.





















