Seja para transação entre pessoas físicas, recebimento de salário, retorno de investimentos, pagamento de serviços ou até do Google Adsense, o envio de dinheiro do exterior para o Brasil tem sido cada vez mais comum.
Porém, questões legais, como a cotação da moeda, os impostos cabíveis e as taxas dos diversos serviços, tornam o ato de receber dinheiro do exterior não tão simples e, pior ainda, custoso, dependendo da maneira escolhida.
São diversas as formas de se receber dinheiro do exterior legalmente, mas algumas são mais baratas, igualmente seguras e sem muita burocracia.
A maneira ideal de recebimento e envio de dinheiro para o exterior depende do perfil de cada usuário, do montante a ser transferido e até do tipo de transação.
Vejamos, a seguir, algumas dessas formas e quais são as vantagens e desvantagens de cada uma delas.
Remessa Online
Começamos pela forma mais econômica de se receber dinheiro do exterior: a Remessa Online. Trata-se de um serviço especializado na transferência de valores de países para países, totalmente pela internet, sem muita complicação e com cotação final mais vantajosa.
Para realizar uma Remessa Online, o cliente deve acessar o site, fazer um cadastro para pessoa física ou jurídica e, após mais alguns cliques, será criada uma conta multimoeda gratuita.
O próximo passo é escolher em qual moeda se quer receber – em dólar, por exemplo – a compartilhar os dados da conta internacional recém-criada com a fonte pagadora. Feito o pagamento, a remessa chega em até dois dias úteis.
O valor recebido na conta internacional online é então repassado para a conta brasileira do cliente, escolhida no momento do cadastro. A transferência é feita via TED.
Os valores da Remessa Online são mais baratos em comparação a outros serviços de bancos tradicionais.
Simulando no próprio site, é possível perceber que uma remessa de 3 mil dólares, com câmbio comercial de R$ 4,0520, custo de 1,30%, IOF de 0,38% e tarifa bancária zero, chega ao Brasil no valor de R$ 11.952,38. A simulação foi feita em dezembro de 2019.
Transferência bancária
A forma mais tradicional de se receber dinheiro do exterior é por meio de transferência bancária por ordem de pagamento. A fonte pagadora procura o banco e realiza a ordem de pagamento para um banco brasileiro.
O grande problema aqui é o alto custo da operação, pois tanto o banco que emite a ordem de pagamento quando o banco que recebe o valor cobram taxas de serviço sobre o valor transferido.
Bancos do exterior cobram de US$ 20 a US$ 40 para enviar a remessa para o Brasil. A instituição financeira local pode cobrar de US$ 20 a US$ 100 para receber o valor, conforme o montante, além do IOF.
A transação é altamente segura e também a mais tradicional, mas o custo elevado só vale a pena para a transferência de valores mais altos.
Conta no exterior
Ter uma conta no exterior pode parecer mais fácil, mas, na prática a transferência de valores de uma conta estrangeira para uma conta brasileira segue os mesmos trâmites e tem os mesmos ônus da transferência bancária por ordem de pagamento.
A vantagem da conta no exterior é se o cliente tem salário e pretende usar a conta lá efetivamente. Caso contrário, além dos custos de remessas, o cliente terá que pagar a taxa de manutenção da conta fora do país: mais um custo.
Quem já tem conta em algum banco no Brasil que seja multinacional, pode optar por abrir a conta estrangeira na mesma instituição e fugir das taxas cobradas na ordem de pagamento, fazendo a transferência online, com menor custo.
No entanto, nem todos os bancos que operam no Brasil são multinacionais e a possibilidade de abertura de conta estrangeira na mesma instituição é limitada a renda ou fundo de investimentos mínimos.
Banco online
A Caixa Econômica Federal dispõe de um serviço que pode ser vantajoso para clientes que já tenham cartão de crédito com bandeira Visa emitido no exterior.
Apesar de ser um público mais restrito, ele pode se beneficiar de uma taxa de transferência bancária internacional de 2,5% sobre o valor remetido.
Para abrir a E-conta no exterior é preciso residir fora, ser maior de idade e ter CPF.
A Caixa Econômica Federal precisa aprovar a criação da conta online, mediante encaminhamento de cópia da identidade ou do passaporte.
Também é possível cadastrar uma agência do banco para que o beneficiário no Brasil possa fazer o saque sem ser correntista.
Vale postal eletrônico
Outra maneira de receber dinheiro do exterior é via Correios. O serviço tem o nome de vale postal eletrônico e permite a remessa de valores em agências postais credenciadas fora do país.
Apesar de interessante, há diversas restrições. Apesar de funcionar em 20 países, o serviço não está disponível para os Estados Unidos e o Canadá, por exemplo, destinos muito procurados por estudantes de intercâmbio. Além disso, o teto das remessas é bem baixo para determinados países.
A taxa de serviço é de R$ 35, além de 1,5% do valor da remessa. Se o montante for baixo, o envio não compensa, mas se for um pouco maior, pode valer a pena.
Dinheiro in cash
É possível transitar entre os países do mundo com dinheiro vivo, mas a transferência in cash pode ser bem burocrática dependendo do valor.
Qualquer pessoa pode embarcar em um voo internacional com até R$ 10 mil ou o valor equivalente na moeda do destino, sem precisar declarar o dinheiro transportado.
Se ultrapassar esse montante, é necessário fazer a Declaração de Porte de Valores (DPV) na alfândega, tanto na saída do Brasil quanto na chegada ao destino.
Não há taxa ou imposto sobre o dinheiro levado em viagem, mas quem não declarar pode ser indiciado por evasão de divisas, caso o valor seja descoberto.
Para declarar valor acima de R$ 10 mil em viagens, é preciso apresentar o dinheiro na alfândega, junto com passagem, passaporte e contrato de câmbio, caso o montante esteja em moeda estrangeira. Cada cédula é checada antes do último embarque em solo estrangeiro e no desembarque em solo nacional.



















