“Elevado número de mortes por fatores que poderiam ser evitados impressiona, sobretudo em um país como o Brasil, que teme tanto a morte”, afirma especialista
Recente estudo feito pela USP, Universidade de São Paulo, mostra que muitos casos de morte, no Brasil, são oriundos de práticas não saudáveis que culminam na morte precoce de muitas pessoas. Essas mortes, que poderiam ser evitadas, são eventos que, além de interromper a vida das pessoas de forma abrupta, ocasionam a vivência do luto durante a doença que, para a cultura brasileira é um processo dificilmente compreendido e aceito.
O estudo revela ainda que o câncer pode ser originado em razão de estilos de vida nada saudáveis. Segundo o estudo, publicado no primeiro trimestre de 2019, práticas como: tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso, falta de atividade física e alimentação não saudável são responsáveis por esse elevado número de diagnósticos de câncer. Os números e os motivos que levam à doença, explica a psicóloga Rachel Camurça, além de elevados são uma demonstração de que muitos brasileiros descuidam da saúde indicando fatores de risco em várias âmbitos da vida. Para além da questão socioeconômica, existem dificuldades psicológicas como a autoestima, humor deprimido e outras que interferem diretamente no autocuidado e estilo de vida, bem como o fator cultural da ilusão que a morte não irá chegar, ou que ainda vai demorar. A psicoterapeuta esclarece ainda que a vivência da doença, especialmente quando ela é grave, é uma antecipação do luto, que pode ser vivenciado antes da morte.
“Essa é uma fase delicada. Em qualquer idade, a doença é um processo de difícil compreensão e aceitação, sobretudo quando ela pode ocasionar a morte do enfermo. As pessoas que passam por essa experiência são “obrigadas” a lidar com a perda, em primeira instância da saúde, e em casos mais sérios e evoluídos, da própria vida. Nesses e em outros casos de vivência de doenças graves, inicia-se o processo do luto, ainda que a morte não seja algo concretizado”.
O estudo realizado pelo Departamento de Medicina Preventiva da Faculdade de Medicina da USP, e publicado na revista científica internacional Cancer Epidemiology, aponta que 60 mil pessoas morrem por ano no Brasil, vítimas de câncer, colocando a doença como a segunda maior causa de mortes no Brasil. O estudo ainda traz estimativas de que em 2025 o número de casos deve aumentar 50%.
O luto na doença
“A vivência da enfermidade, em casos graves ou terminais, ocasiona uma experiência de antecipação da morte, e consequentemente, do luto,” afirma a especialista em finitude, Rachel Camurça. Para ela, durante esse processo, as doenças geram, nas pessoas, sensações variadas, mas que de modo geral, despertam sentimentos muito semelhantes, como saudade, angústia, medo e tristeza, tanto no doente como na família.
Conviver com a presença morte mesmo sem ela ter chegado é, para a especialista, um desafio e uma constante no cotidiano de muitas pessoas. “A doença ocasiona isso, sobretudo quando ela acomete pessoas novas ou com grande potencial de vida, mas que, por dificuldades com autocuidado e escolhas não saudáveis no estilo de vida, foram alcançadas por males corporais que tendem a aproximar da vida o que muitos tanto temem, que é a morte”.



















